No último dia 5, em Belém da Cachoeira (BA), foi inaugurado o Memorial Bartholomeu Lourenço de Gusmão. O discurso abaixo foi preparado por Adinoel Motta Maia, Guarani Araripe e Sérgio Mattos, membros da Comissão 300 anos do Balão.
Nesta data, do tricentenário da primeira ascensão de um aeróstato, em todo o mundo, realizada pelo Padre Bartholomeu Lourenço, seu inventor, em Lisboa, em 05 de agosto de 1709, unem-se o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e a Paróquia de Cachoeira para neste espaço da Igreja de Nossa Senhora de Belém, núcleo do seminário jesuíta de Belém da Cachoeira, onde estudou e realizou suas primeiras experiências científicas;iniciar a montagem de um memorial que será enriquecido paulatinamente com novas peças documentais e ilustrativas do que foi a vida e a obra religiosa e científica de BARTHOLOMEU LOURENÇO DE GUSMÃO, nascido na cidade de Santos em 1685 e falecido na cidade de Toledo em 1724.
Quis a Natureza Divina e Humana, que, nesta igreja, sob os olhos do Padre Alexandre de Gusmão, o adolescente Bartholomeu Lourenço recebesse a educação da Companhia de Jesus e desenvolvesse o seu intelecto no sentido da inovação, daqui saindo em 1701 para Lisboa, regressando de lá para Salvador da Bahia, onde completou sua formação religiosa e ordenou-se, partindo finalmente de volta àquela sede do Reino de D. João V, de Portugal, onde mostrou ao mundo o princípio da aerostação, por ele descoberto e o comprovou com sua primeira demonstração pública, fazendo elevar-se na Casa da Índia, em presença do Rei, da Rainha, da Corte, do Núncio Apostólico e dos diplomatas ali credenciados, o seu aeróstato. Além do que cumpriu funções religiosas como padre, bacharel e doutor em Cânones, pela Universidade de Coimbra,pronunciando sermões considerados iluminados, que levaram o grande Camilo Castelo Branco a dizer que era ele, então, “o maior homem que a Portugal deu o século XVIII”
Assim, designada pela Presidente Consuelo Pondé de Senna, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, esta comissão de comemoração do tricentenário do aeróstato encontrou o entusiasmo e o apoio necessários do Cônego Helio Vilasboas da Paróquia de Cachoeira para a implantação deste memorial, cravando-se aqui a lápide que neste momento se descerra.